| A web é uma mídia que aponta para o desejo individual. Os meios de comunicação tradicionais baseiam sua estrutura no paradigma clássico emissor-canal-receptor, concedendo poderes consideráveis ao emissor e ao meio. A estrutura da internet, baseada em uma rede de associações e na interatividade, permite ao receptor moldar o contexto da informação e, portanto, seu sentido. Na internet, a ênfase do processo comunicativo é concedida às pessoas que a utilizam. O indivíduo obtém o que quer, quando quer e como quer.
A consolidação definitiva da internet no cotidiano e a inexistência de um agente regulador forçam as instituições a ocuparem seu espaço na web para, no mínimo, tirar a força dos websites periféricos que muitas vezes divulgam informações incorretas e desatualizadas ao público. A compreensão e bom uso das características desta nova mídia vão determinar o quão efetiva será a presença de uma instituição no mundo virtual.
Museus e internet
Um website que apenas reproduz as informações de um folder impresso é como um canal de televisão que só tenha som. Para explorar a mídia adequadamente, é necessário que se faça uso da sua característica primordial, a interatividade.
Pode-se dizer que existem três níveis nos quais os museus na internet podem ser classificados. O primeiro deles é a colocação de um folheto on-line, que consiste em um espaço puramente publicitário que apresenta dados básicos sobre o museu, história, fotos, horários de funcionamento, tarifas e informações afins. Este website funciona apenas como uma referência para os visitantes que de fato irão ao espaço físico do museu.
Como uma evolução deste estágio, temos a projeção do museu para o espaço virtual, onde já se encontram disponíveis mapas de localização, informações sobre coleções e exposições em andamento, catálogos de exposições finalizadas, ou a exibição de itens que por limitações de tempo, espaço, segurança ou acessibilidade não estariam disponíveis ao público de outra forma. A web tem o poder de dar às exposições permanentes uma nova luz, permitindo que curadores recontextualizem os objetos, exibam peças que normalmente não são vistas juntas, criando uma nova narrativa e ajudando a audiência a vê-los e experimentá-los de forma diferente. Além disto, o website pode ser o veículo ideal para a preservação e divulgação do imenso volume de material teórico produzido pelo museu em simpósios, workshops, mesas redondas, pesquisas e debates.
O próximo passo nesta evolução é a criação de um museu realmente interativo, que proporciona novas experiências ao visitante, promovendo apresentações mais imersivas no contexto das obras, além da informação em si. Ao migrar o visitante da posição de observador passivo para um agente ativo (que escolhe, escreve, pergunta, cria) o museu estabelece um canal de diálogo, criando assim, um novo modelo de relacionamento com a sociedade, no qual se destacam a colaboração e a participação.
Arte Educação e Internet
Um dos recursos mais atrativos da internet para um museu é a possibilidade de disponibilizar produtos educacionais on-line. Roteiros e material didático permitem ao professor o planejamento prévio da visita ao museu, a contextualização das obras no tempo e no espaço e a execução de atividades preliminares, tornando os alunos mais bem preparados para o que irão ver. O interesse nas obras pode ser despertado previamente e as atividades podem prosseguir mesmo após o encerramento da visita.
As ferramentas de visitas virtuais e atividades interativas invertem a perspectiva tradicional e levam o museu para a sala de aula, fazendo dele um aliado da escola na educação de crianças e jovens, independentemente da distância física, limitações de horários e de segurança. As visitas virtuais a museus fisicamente inacessíveis são consideradas fundamentais para a democratização da informação. Os museus são, ao lado das bibliotecas, as instituições mais citadas nas discussões sobre o uso da internet na educação.
Tais discussões, entretanto, enfrentam as dificuldades que emergem da distância entre o sonho e a realidade brasileira. O sonho: imenso material de pesquisa disponível na rede; intercâmbio entre as escolas de todo o mundo; alunos em diferentes países que poderiam discutir sem intermediários como sua história, economia ou geografia afetam suas vidas; visitas a bibliotecas e museus internacionais. A realidade: não há equipamento e infra-estrutura disponível nas escolas e nos museus; a rede de telefonia é precária; os alunos têm dificuldades com o idioma (os sites internacionais sempre possuem versões em seu idioma nativo e em inglês); os professores não estão preparados para orientar os alunos no uso das máquinas; não há política de intercâmbio entre as escolas.
Existe, felizmente, uma tendência de melhora neste quadro para os próximos anos: o Ministério da Educação incluiu entre as suas metas a informatização das escolas (Meta 24 - Toda escola equipada com equipamentos modernos e totalmente incluída digitalmente até 2010). Além disto, existem alguns projetos como a Escola do Futuro (USP-SP), cujo objetivo é equipar o maior número de escolas públicas com o que definiu como necessidades básicas para democratizar o acesso à informação: um computador com os softwares básicos instalados, uma impressora, uma linha telefônica, acesso à internet e capacitação de pelo menos dois professores.
Museus do Mundo na Internet
O grau de penetração e profissionalização da internet na sociedade de cada país é espelhado pelos museus. Praticamente todos os museus internacionalmente importantes têm seus websites, embora a amplitude do uso desta mídia seja diferente de caso para caso. Nos Estados Unidos, mesmo os museus menos expressivos possuem websites profissionais e bastante completos, o que se explica facilmente pelo fato de a internet estar incorporada ao dia-a-dia da população, fazendo com que produções amadoras não tenham espaço para sobreviver.
No resto do mundo, o que se observa é que, em geral, os museus pequenos e de abrangência local possuem sites bastante simples; os bons websites permanecem restritos às iniciativas dos museus de renome internacional. O MALBA na Argentina, bom exemplo latino-americano, possui uma estrutura rica e bem construída e disponibiliza informações e imagens de exposições presentes e passadas. Os grandes museus da Europa, tais como Louvre, Museu Van Gogh e Tate Galery, possuem websites extraordinários, completos, que usam os recursos da Internet de forma inteligente, abrangente e elegante.
O uso desta mídia pelos museus ganhou tal importância entre os museus internacionais que foi criada em 1998 uma conferência internacional para trocar idéias sobre o assunto, a “Museums and the Web”, realizada anualmente. Em 2002, cerca de 300 instituições entre museus, universidades e bibliotecas participaram do evento.
O “Internet Museum”, instituição japonesa que reúne as iniciativas na web de diversas instituições do país, realizou uma pesquisa em 2002 sobre o status atual dos museus do mundo. Esta pesquisa foi respondida por 206 museus, distribuídos entre 26 países. O resultado mostra que 78% dos representantes dos museus consideram a homepage importante ou muito importante para as atividades do museu. O motivo mais citado para isto é o uso do site para relações públicas (39%), seguido pelo uso educacional (27,3%).
Referências
Artigos
- Sabbatini, Marcelo. Rumo aos museus virtuais e mais além. Publicado na Newsletter Labjor – Orgão de Comunicação do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Unicamp, 2002
- Roberts, Lisa. From knowledge to narrative: educators and the changing museum. Smithsonian Institution Press, 1997.
- FreedMand, Michael - Think Different: Combining Online Exhibitions And Offline Components To Gain New Understandings Of Museum Permanent Collections. Museums and the Web, 2003
- Schaller, David , Allison-Bunnell, Steven e Nagel, Susan - Developing Goal-Based Scenarios for Web Education. Educational Web Adventures, 2002
- Valente, Armando e Almeida, Fernando – Visão Analítica da Informática na Educação no Brasi: a questão da formação do professor. NIED-UNICAMP / PUC SP, 1999
- Cabral, Adilson – Apoteóse e Apocalipse: Internet e Educação no Brasil.
Websites Internacionais
Museu Internacional de Cinema de Milão - http://www.museonazionaledelcinema.it/
Tate Galery - http://www.tate.org.uk
Malba – http://www.malba.org.ar/
Museo de La Ciudad de México - http://www.arts-history.mx/mcm.html
Museum of Modern Art -
http://www.moma.org/
Museu do Louvre - http://www.louvre.fr/
Museu Van Gogh - http://www.vangoghmuseum.nl/
Museu Guggenheim - http://www.guggenheim.org
The British Museum - http://www.thebritishmuseum.ac.uk/
Websites Nacionais
Museus Castro Maya -http://www.visualnet.com.br/cmaya/
Paço Imperial -http://www.pacoimperial.com.br
Museu Imagens do Inconsciente - http://www.museuimagensdoinconsciente.org.br/
MAM - http://www.mamrio.com.br
Casa do Pontal – http://www.popular.art.br
Museu da República - http://www.museudarepublica.org.br
MAC Niterói - http://www.macniteroi.com
MAC SP – http://www.mac.usp.br
Pinacoteca do Estado de São Paulo -http://www.uol.com.br/pinasp/
Museu Lasar Segall – http://www.museusegall.org.br
Fundação Joaquim Nabuco - http://www.fundaj.gov.br/
Biblioteca Nacional – http://www.bn.br
Ministério da Educação – http://www.mec.gov.br
Museu Imperial - http://www.museuimperial.gov.br/
Fundação Iberê Camargo - http://iberecamargo.uol.com.br
Museu do Índio - http://www.museudoindio.org.br
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